Manoel Tobias recorda título da LNF no Vasco

Por Matheus Babo • Rio de Janeiro | RJ


O ano 2000 foi mágico para o Vasco da Gama. E não foi só no futebol de campo, mas nos outros esportes. Naquela temporada, a diretoria montou um time muito forte para o futsal buscando todos os títulos que disputaria. E a estrela da companhia era Manoel Tobias, craque da época, três vezes eleito o melhor jogador do mundo e que honrou a camisa do Gigante da Colina, conquistando cinco dos seis campeonatos que disputou numa equipe lendária comandada por Ricardo Lucena, que tinha nomes como Lavoisier, Cacau, Índio, Simi, Schumacher…

Crédito: Reprodução - Manoel Tobias com a taça da Liga Nacional ao lado do presidente Calçada

O único título de uma equipe carioca na Liga Nacional de Futsal foi conquistado pelo Vasco naquele ano. E com uma campanha sensacional: 36 jogos, 30 vitórias, 165 gols marcados e um aproveitamento de quase 90%. Como lembra o craque da época.


– Para mim foi um alegria e uma honra muito grande ter vestido a camisa do Vasco. Um clube de tradição, muito vencedor, que tem uma torcida apaixonada. Pra nós, que participamos daquele momento, foi muito marcante. Conseguimos fazer história no ano e meio que passamos aí. Foi uma alegria muito grande, me sinto honrado e tenho certeza que conseguimos corresponder às expectativas. Não só diante da minha contratação, mas principalmente dos outros companheiros. O Vasco conseguiu montar uma equipe muito forte e conseguimos ganhar vários títulos – recorda o antigo camisa 5, antes de falar sobre o elenco:


– A equipe que o Vasco montou no ano 2000 foi fantástica. Se você analisar, nós tínhamos ali duas Seleções Brasileira. Duas equipes, eram quase 20 jogadores. Aquele time era muito bom. Se não foi o melhor time que eu atuei, foi um dos melhores. Tenho que os três melhores times que atuei foram o Vasco, o Atlético-MG e o Internacional. Coincidência ou não, são três times de camisa. O mais importante foi ter vestido essa camisa pesada do Club de Regatas Vasco da Gama.

Crédito: Reprodução - Jornal destacando o feito do Vasco da Gama

A grande decisão foi diante de outro time de massa: o Atlético-MG. E para Manoel Tobias teve um gostinho especial, já que o Galo era o ex-clube do jogador. Ele recorda que foi recebido com muito respeito pelo torcedor atleticano e que aquela decisão ficou marcada por conta dos Mineirinho e do Maracanãzinho lotados nos dias de decisão:


– Essa final realmente foi inesquecível. Um ano antes, em 99, eu joguei pelo Atlético-MG, conseguimos o bicampeonato e foi muito difícil para mim. Eu vim contratado no início de 2000 e nem nunca imaginei que estaria numa situação daquelas. Eu saio de um clube, vitorioso, como fomos no Atlético, e veio o Vasco querendo se firmar no cenário do Futsal. E na final reencontrei o Galo. Tive uma preparação muito grande em nível emocional. São os dois clubes que tenho uma paixão muito grande. Foi muito difícil voltar ao Mineirinho como aconteceu no primeiro jogo. Quase 17 mil torcendo contra daquela vez. O legal foi o tratamento que eles me deram. Me receberam muito bem. Conseguimos fazer um bom jogo e vencemos por 3 a 1, saímos com uma vantagem muito boa e levamos paro Maracanãzinho. No Rio, nós soubemos aproveitar a vantagem, o ginásio tava lotado, vencemos por 4 a 2 e levamos o título.


Craque foi o mentor de outro ídolo do Vasco

Natural de Salgueiro, cidade que fica há 500km de Recife, Manoel Tobias se mudou para a capital pernambucana ainda criança. Lá, foi morar com os pais no condomínio Portal da Boavista. E a água do lugar devia ter alguma coisa especial, principalmente para os vascaínos. Foi na quadra do local que aquele que se tornaria um craque do futsal começou e conhecou outro ídolo vascaíno, que se tornaria um craque no campo: Juninho Pernambucano. Cinco anos mais velho que o Reizinho da Colina, Manoel Tobias conta que já dava pra perceber o talento de Juninho e como foi o reencontro com ele, já um dos principais jogadores do Cruzmaltino, quando chegou ao clube em 2000:


– Falar do Juninho é uma alegria muito grande. É até uma honra. Como todos sabem, eu nasci em Pernambuco, numa cidade chamada Salgueiro, que fica 500km de distância de Recife. Em meados de 1981, meus pais se mudaram para Recife e por coincidência eu fui morar no mesmo condomínio dele. Eu sou um pouquinho mais velho que o Juninho, mas ele já jogava com a gente na quadra do prédio. Chamava Portal da Boavista o condomínio e a gente já via que o Juninho era diferenciado. Pequenininho, loirinho, ele já encarava a gente, jogava sem medo, já se destacava. Então tivemos uma infância razoavelmente boa, juntos. E veio a decisão de eu jogar futsal e ele foi pro campo. Isso aconteceu quando eu saí da Votorantin. Lá eu jogava futsal e campo, ele também. Só que ele jogava futsal no Sport. Eu no Náutico. Quando em 88, por aí, eu tive a decisão de ficar só no futsal, segui na Votorantin e de lá iniciei minha carreira, chegando até a Seleção Brasileira. Juninho permaneceu no futebol de campo e seguiu na Votorantin, que era muito forte, saíram nomes como eu, Juninho, Cacau que também jogou no Vasco, Fininho, Jaílton… grandes nomes do futsal brasileiro. O Juninho seguiu no campo e fez história no Vasco. Até hoje nós temos uma relação, claro que não é íntima, até porque as carreiras levaram para caminhos diferentes, mas ele sempre foi um ser humano muito legal. Não só dentro de campo, onde foi um craque, mas também como homem e como pessoa. Ele tem uma família que deu uma base muito importante. Que é o que importa. Ter valores, respeito pelo próximo. Ele veio daí e eu também. Ele foi craque no campo e eu acho que fui uma referência no futsal. Acredito que deixamos um legado no Vasco.

Crédito: Reprodução - Craque virou ídolo no clube carioca

BATE-BOLA

Manoel Tobias, campeão da Liga Nacional de Futsal pelo Vasco em 2000


O time era muito forte e o investimento foi grande naquele ano. Existia uma pressão para, além de ganhar os jogos e títulos, jogar bonito e convencer?

A pressão sempre existe e sempre vai existir. Naquela Liga Nacional e em toda nossa temporada em 2000 era pra que nosso time ganhasse tudo. Naquele ano nós jogamos seis torneios e fomos campeões de cinco. O outro foi o vice-campeonato do Sul-Americano, em casa, contra o Internacional. E além de ganhar, tinha que ter o show. Principalmente, uma exigência não só da nossa parte, mas também por conta da torcida. Aonde nós jogávamos, em qualquer lugar do Brasil ela estava presente. Mas era uma pressão gostosa. Fazer parte dessa história não tem nada na vida que pague.


Quais são as suas lembranças do Vasco e do Rio de Janeiro?

O Rio de Janeiro eu digo que é a minha segunda casa. Todas as vezes que fui jogar contra, os anos que passei jogando no Vasco, a receptividade do povo carioca comigo… foi empatia total. Me lembro quando fui jogar pelo Atlético-MG, Internacional ou pela Seleção Brasileira, cansamos de fazer jogos em Campo Grande, no Miécimo da Silva, fora os jogos de Liga, Taça Brasil, sempre foi um povo muito acolhedor. Amei morar no Rio de Janeiro. Hoje eu resido aqui em Fortaleza e se tivesse que escolher outra cidade, escolheria o Rio de Janeiro. Amo de paixão e graças a Deus eu consegui aproveitar a cidade no momento que estiver aí. Guardo as melhores lembranças da minha vida dos momentos que passamos aí.

Crédito: Reprodução - Delegação vascaína posa pra foto antes da grande decisão

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