Coluna Saúde do Atleta: Lesões no tornozelo em atletas

Por Volnei Corrêa da Silva

• Lages | SC

As lesões no tornozelo estão no TOP 3 das lesões nos esportes coletivos. Formam este TOP 3 juntamente com as lesões musculares e no joelho.


A maioria das lesões no tornozelo estão relacionadas a trauma e se baseiam praticamente nas lesões ligamentares e fraturas. As lesões ligamentares com uma maior prevalência que as fraturas. Pela característica anatômica da articulação do tornozelo as lesões da cartilagem não são tão frequentes, mas não podem, de jeito nenhum, ser desprezadas.


O mecanismo do trauma mais frequente é o de inversão e a maioria dos entorses acontecem momento de aterrissagem do pé ao solo.


As lesões ligamentares vão desde lesões mais leves até lesões mais graves. Devido a isto o tratamento também é bem amplo. Ele está ligado diretamente com a sintomatologia e o grau de lesão (grau I, II ou III).


Numa lesão leve (grau I) a imobilização não é utilizada e o trabalho fisioterápico pode ser realizado mais intensivamente. Já numa lesão grave (grau III) habitualmente é necessária imobilização e a fisioterapia deve ser realizada de maneira progressiva com objetivos específicos para cada fase de recuperação.


Nos casos mais graves sempre precisamos nos preocupar com a permanência de uma instabilidade articular secundária à lesão ligamentar sem a devida cicatrização ideal. Com isso, naqueles casos de instabilidade (medida nos RX em stress do tornozelo), há chance de necessidade do tratamento cirúrgico.


As fraturas por sua vez, quando com qualquer deslocamento, necessitam tratamento cirúrgico. Uma fratura do tornozelo deslocada em atleta apresenta indicação cirúrgica. O tratamento conservador se restringe aos casos de fratura sem nenhum deslocamento da fratura


Há uma discussão grande em relação ao uso ou não de proteções (bandagens/tornozeleiras) preventivas ao entorse do tornozelo. Realmente previnem? Qual a consequência na biomecânica articular do tornozelo e pé que essas proteções desencadeiam?

Há vários trabalhos demonstrando que o uso de bandagens ou tornozeleiras diminuem a incidência, recorrência e gravidade do trauma, mas, que elas limitam (mais ou menos dependo do tipo de proteção) a mobilidade articular. Essa diminuição da mobilidade articular levaria a uma mudança da biomecânica articular com uma alteração da propriocepção e uma provável diminuição da força da musculatura da perna.


Os programas de exercícios preventivos, aqueles que trabalham a propriocepção, fortalecimento muscular periarticular e melhora do controle neuromuscular são fundamentais na prevenção as lesões do tornozelo. O tornozelo é a articulação que mais se beneficia destes programas. Normalmente o alto índice de lesões no tornozelo estão relacionados com a despreocupação com este tipo de trabalho preventivo nas equipes esportivas.