Exemplo!
  CBFS       27/10/2017  

Crédito: AVD Futsal

Superar as barreiras. Este é o grande objetivo da equipe de futsal da Associação Valorizando as Diferenças (AVD), do Rio de Janeiro. Um torcedor desatento talvez nem perceba, mas todos os atletas que compõem a AVD - atualmente 15 - são surdos e disputam o Campeonato Carioca regular, com equipes de ouvintes, pela segunda vez na história.

O movimento é inédito e faz parte do programa de inclusão social da AVD. Assim, o resultado dentro de quadra pouco importa, como explica o técnico da equipe, Eduardo Duarte.

"É maravilhoso eles poderem jogar num campeonato oficial de ouvintes, um sonho realizado. A AVD é referência, tanto que muitas associações de surdos estão buscando seguir os nossos passos. É preciso entender que se permanecerem disputando apenas os seus campeonatos, o nível não vai melhorar. Temos atletas muito bons, mas nos jogos ainda não conseguem apresentar todo o seu potencial. Alguns se abalam muito psicologicamente. Sabem que são capazes, mas ainda não se sentem preparados. Há um bloqueio psicológico que aos poucos será superado. Cada um tem seu tempo e respeitamos isso, pois o nosso objetivo é incluir eles. Sempre coloquei que os resultados não importam para nós", explica Duarte, que é auxiliado por André Reagly no comando técnico da equipe.

E as dificuldades não aparecem apenas no jogo. A formação do elenco e a disponibilidade de treinos com a tentativa de criar uma rotina também viram situaões que precisam ser superadas pela equipe da AVD, conforme Eduardo aponta.

"Não temos condições de treinar direto, tendo em vista que os surdos atletas trabalham e ou estudam; muitos moram longe, em outros municípios, o que dificulta, além da questão da falta de apoio. Antes do início do campeonato os treinos aconteciam no final de semana, uma vez, raramente duas vezes na semana", pontua.

De braços abertos

Apesar dos contratempos, a equipe foi abraçada por todos dentro do Campeonato Carioca. A arbitragem, por exemplo, se adapta para poder facilitar o entendimento dos jogadores. A comunicação, aliás, é um dos fatores que mais chama a atenção quando a AVD está em quadra.

"Na verdade os sinais que adaptamos são poucos. O maior problema é no momento do jogo, pois perdem facilmente a atenção tendo em vista que se comunicam com as mãos, necessitam do visual. Ainda falta malandragem, experiência, para que possam comunicar em quadra sem perder o foco e atenção na partida. A arbitragem usa um colete ou outro item para sinalizar com gestos em conjunto com o apito para que os nossos atletas acompanhem as marcações.

Portanto, usando o futsal como forma de inclusão social, a AVD vai trilhando um belo caminho, com vitórias que vão além dos três pontos. Os sonhos seguem como combustível para a evolução, com a expectativa de colher frutos no esporte em breve.

"Estamos trabalhando para criar condições de num futuro próximo, quem sabe em 2018, já possamos brigar por uma vaga na fase seguinte. É nosso segundo ano e todos que acompanharam a equipe de 2015 e estão acompanhando a de 2017, são unânimes em dizer que melhorou muito. Estamos no caminho certo", explica Eduardo.

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